O TerritórioSíntese do Projeto Alto CamaquãA OrganizaçãoA Marca ColetivaOs produtos

Desde uma perspectiva estritamente geográfica o Alto Camaquã constitui a parte superior da bacia do rio Camaquã e está situado entre as coordenadas geográficas 30º 25′ a 31º 33′ de latitude Sul e 52º 48′ a 54º 12′ de longitude Oeste, sobre o Escudo Cristalino (formação geológica) e inclui áreas dos municípios de Bagé, Caçapava do Sul, Canguçu, Encruzilhada do Sul, Lavras do Sul, Piratini, Pinheiro Machado e Santana da Boa Vista, com uma área de 8.670 km2.

Desde o ponto de vista ambiental a região se caracteriza por grande beleza paisagística com topografia dobrada, terreno em declive e a presença intensa de matas nas ladeiras, vertentes e margens dos cursos de água. A vegetação arbórea aparece associada à vegetação herbácea campestre, formando mosaicos de mato-campo.

A região possui mais de 70% de cobertura de vegetação natural configurando-se como uma das regiões mais preservadas do Rio Grande do Sul. Do ponto de vista produtivo o Alto Camaquã se caracteriza pelo predomínio da pecuária de campo nativo realizada em pequenas e médias unidades produtivas. O conjunto destes aspectos, somados ao fato de que dois dos municípios foram as principais capitais Farroupilhas, conforma uma identidade singular e faz com que tal região seja considerada um território único.

O projeto Alto Camaquã tem uma concepção de desenvolvimento regional com enfoque territorial. O projeto visa re-descobrir e re-valorizar o “local” como capaz de pensar e implantar estratégias diferenciadas de desenvolvimento endógeno, baseadas na construção de práticas produtivas apropriadas ao ambiente e em sintonia com o paradigma do desenvolvimento sustentável.

Uma das características do território é a organização social das zonas rurais, de forma que grande parte das localidades contam com Associações comunitárias. A partir do fortalecimento de tais Associações, seguida da integração entre elas, conformou-se a Rede de Produtores do Alto Camaquã, conhecida simplesmente como Rede Alto Camaquã ou ReAC.

Como primeira ação da Rede foi criado o Fórum do Alto Camaquã – que se reúne semestralmente desde oito de agosto de 2008 com o objetivo de integrar todos os atores sociais do território. Por decisão dos membros do Fórum foi criada a Associação para o Desenvolvimento Sustentável do Alto Camaquã (ADAC), fundada em 22 de setembro de 2009, visando criar uma estrutura formal capaz de congregar o conjunto das Associações dos oito (08) municípios envolvidos.

Desde então a ADAC tem por finalidades servir como instrumento de mobilização social, captar e gerir recursos, criar estratégias de proteção dos produtos e serviços e promover junto aos atores sociais envolvidos o sentimento de pertencimento ao território, buscando a adesão de novos agentes de mudança. A ADAC congrega a Rede de Produtores e Empreendedores do Alto Camaquã (ReAC), constituída por 500 famílias pertencentes a 25 associações comunitárias do território visando à construção compartilhada de projetos orientados pelos objetivos do desenvolvimento sustentável.

Tendo na vinculação entre produtos, território e pessoas parte importante da estratégia de ação, a ADAC criou uma marca territorial coletiva, ou seja, uma marca que antes de estar associada aos produtos está vinculada ao território, de modo que todos os produtos e serviços ali gerados possam usar este selo distintivo para serem reconhecidos por uma identidade e qualidades associadas à origem.

Assim, a marca Alto Camaquã, que é de “propriedade” da ADAC – com direito exclusivo de uso das associações filiadas – tem como objetivo comunicar: a identidade/origem dos produtos; que estes tem “formas de fazer” apoiadas no uso durável dos recursos naturais locais.

Enfim, a marca coletiva territorial Alto Camaquã visa promover a diferenciação dos produtos e serviços provenientes deste território promovendo uma imagem de região preservada, sistemas de produção fortemente relacionados com a natureza, pessoas organizadas coletivamente, manejo conservacionista dos recursos, baixo impacto e produtos sadios.

Do ponto de vista socioeconômico o território Alto Camaquã está caracterizado pela presença marcante de unidades familiares de produção onde, além da criação de ovinos e bovinos, é gerada uma ampla gama de produtos.

Foram identificados mais de 30 produtos com potencial de serem comercializados com a marca Alto Camaquã. Estes, para efeitos de organização, foram classificados em cinco linhas de produtos, a saber: Carnes, Turismo, Arte Rural (Artesanato), Produtos Transformados e Produtos Primários.

Para dar inicio ao processo de comercialização com uso da marca territorial, foram eleitos até dois produtos em cada uma destas linhas para que tivessem seus processos produtivos e comerciais aprimorados com a finalidade de acessar o mercado.

Para tanto foram selecionados os seguintes produtos por linha: Carnes de cordeiro ovinos e caprinos, mel, terneiros, artesanato em lã e pele ovina, bolo de amendoim (de Torrinhas), figada e ambrosia, roteiros e eventos turísticos.

Dentre esses a carne de cordeiro ovino foi escolhida para ser o “carro chefe”. Para tanto se buscou empresas dispostas a estabelecer parcerias comerciais com a Rede Alto Camaquã. Chegou-se à indústria frigorífica ADIALE VITÓRIA de Encruzilhada do Sul e ao Shopping da Carne em Porto Alegre. Em reunião com a presença dos produtores e dos empresários foi negociado quantidade, qualidade, prazos e preços.

Atualmente encontra-se em negociação a ampliação do mercado em parceria com o frigorífico ADIALE e a abertura de novos mercados. A Associação de Ovinocultores de Encruzilhada do Sul negociou com uma casa de carnes local a exclusividade da oferta do produto naquele município. Os demais devem seguir a iniciativa.